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Carmo Miranda Machado

A Arte de Ler no Parque

By | Carmo Miranda Machado | No Comments

No preciso momento em que abro a caixa de correio e encontro o pedido do Miguel Meneses para enviar esta crónica, vários temas me assaltam ao mesmo tempo e eu não sei bem por qual optar. A verdade é que hoje me apetece falar de tudo e de nada, sem ordem estabelecida, deixando correr as palavras a ver onde é que elas chegam… Mas não! A minha consciência não me deixa ir por aí. Pelo contrário, grita-me, exige-me que vos conte a reunião que eu tive há dias com a equipa do pelouro da Cultura da nossa ainda recente Junta de Freguesia.

A reunião desempoeirada, flexível e aberta a novas ideias, chefiada pelo Engenheiro Figueiredo Costa, foi uma verdadeira lufada de ar fresco para mim, por vezes ainda carregada de ideias um pouco preconceituosas em relação ao espírito inovador de alguns autarcas. Com efeito, vi-me de repente no meio de pessoas energéticas, predispostas à inovação, decididas a espalhar cultura pelo parque. E a verdade é que, sem qualquer expectativa, fui surpreendida por um encontro no qual tentámos fazer uma verdadeira tempestade de ideias para, juntos, encontrarmos a melhor res- posta ao desafio que aqui lancei: a criação de uma primeira cabine de livros no nosso Parque das Nações.

Pretende-se com esta cabine de livros criar um espaço onde todos possam ir buscar e deixar livros a qualquer momento, a custo zero, respeitando apenas algumas regras básicas essen- ciais que atempadamente aqui vos deixaremos. No entanto, para começar, nesta primeira cabine gostaríamos de conseguir oferecer os seguintes setores temáticos: Romance Atual, Romance Clássico, Poesia, Literatura Infantil, Roteiros de Viagem, Livros Técnicos e Livros de Autores do Parque das Nações.

Assim, queridos leitores, serve a presente crónica para vos pedir apenas duas coisas fundamentais: primeira, que comecem a selecionar, de entre os vosso livros, aqueles que poderão disponibilizar para a nossa primeira cabine de leitura que, desde já vos garanto, marcará o início de uma revolução dos leitores do Parque das Nações; segunda, que enviem para o jornal ou para o meu e-mail, locais onde gostassem de ver colocada esta primeira cabine de livros.

Porque chegou a hora de trazer os livros ao Parque e espalhá-los pelos nossos espaços. Porque ler continua a ser uma porta principal para o contacto com o mundo, com os outros e connosco próprios. Porque queremos que, no nosso bairro, a leitura esteja omnipresente, livre, solta. Porque ler é também voar e nós queremos fazer do nosso bairro um local de pessoas mentalmente livres, com ideias novas, abertas à mudança e recetivas ao sonho.

E se, como diz Alberto Manguel, nós somos aquilo que lemos, urge fazer do parque das Nações de leitores, onde surjam cada vez mais eventos relacionados com os livros, onde aconteçam clubes de leitura, onde todos os leitores do bairro possam trocar livros e leituras entre si.

Publicidade ou Lixo?

By | Carmo Miranda Machado | No Comments

Regressada de férias, fui verificar o
correio. À partida, parece uma tarefa banal e simples,
certo? Pura mentira! Antes de conseguir
chegar às cartas das contas por pagar (visto que
já ninguém me escreve), tive de lutar contra quilos
e quilos de papel que, a pensar nesta crónica,
coloquei num saco e trouxe para o escritório.
Assim, escrevo esta crónica hoje acompanhada
de jornais e revistas e brochuras e folhetos e
flyers e cartões e cartõezinhos (há os de vários
tamanhos). Destes todos, pergunto-me: quais
aqueles que eu pedi para receber? Nenhum!
Publicidade domiciliária! Diz a DECO
(Defesa do Consumidor), sempre cheia de boas
intenções, a respeito da publicidade domiciliária
não desejada: Se o consumidor não tem interesse
em receber publicidade não endereçada, pode
afixar na sua caixa de correio, de forma visível, um
dístico apropriado, contendo uma mensagem
clara e inequívoca nesse sentido. A Direcção-
Geral do Consumidor produziu um autocolante
para o efeito que pode ser importado.
Ah Ah Ah Ah – (eu a rir). Pus um autocolante
primeiro. Depois outro. E outro ainda.
Depois, uma chapinha em metal, comprada por
três euros, especialmente para o efeito, na tentative
de dissuadir os agressores. Tanto os autocolantes
como a chapa eram escritos em Português
e com letra legível. E ambos desapareceram.
Quem os retirou? Não sei… E assim lá vão
entrando pela minha caixa de correio o Jornal
Dica da Semana, os vários flyers e revistas dos 20
anos do Lidl, o lençol da Rádio Popular, da
Worten, da Staples e do Media Markt, os panfletos
do Mini Preço, do Continente e Pingo Doce,
o cartão dos desentupimentos, o cartão do canalizador,
o cartão do eletricista, o cartão do reparador
de estores, a brochura das Chaves do
Areeiro, o flyer do Shopping Bem Bom, o panfleto
da Associação de Reinserção social Despertar
de Sacavém, o panfleto do Colégio Bebecas (sim,
tenho 5 criancinhas aos berros ali no quarto ao
lado), o cartão do Limpa Chaminés, o flyer do
Tree Pearl, Property Management, Consulting &
Services (este é novo por aqui), a flyer de apoio
escolar do Pentáculo, entre outros que ficaram
por listar (muitos outros…).

Estou preocupada. Poupo no papel (e
em outros recursos que recorrem ao ambiente)
sempre que posso. E transmito essa necessidade
a todos os que me rodeiam, especialmente aos
muitos alunos com quem contacto diariamente. É
sabido que o uso excessivo de recursos naturais,
aliado ao consumismo exacerbado desta sociedade
em que vivemos, contribuem, fortemente e de
forma galopante, para a degradação ambiental.
Preocupo-me com a minha Pegada Ecológica
(conceito que nos ajuda a perceber a quantificar
os recursos naturais que cada um de nós consome
no seu estilo de vida). Sim, sou amiga do ambiente! Reciclo e poupo e tenho cuidado com
os produtos que consumo. Só ainda não consegui
aderir à bicicleta porque o caminho para a minha
escola faz-se a subir… Por isso esta revolta perante
os pedaços de tantas árvores que vejo sacrificadas
na minha caixa de correio. Em forma de
publicidade. Essa que nos invade com gritos que
surgem de todos os lados possíveis.
Especialmente entrando pela nossa casa dentro.
Sem autorização!
O mesmo se passa com a publicidade
que nos colocam nas nossas viaturas. Hoje
mesmo, quando entrei no carro, tinham-mo atestado
com publicidade: AUTO-COMPRA, Compro
todo o tipo de carros; Depilação a luz compulsada
(seja lá isso o que for); e coupons de pizzas.
Parece que a promoção da pizza deste
mês é extra-queijo e pepperoni!

“Por isso esta revolta
perante os pedaços de
tantas árvores que vejo
sacrificadas na minha
caixa de correio. Em
forma de publicidade.
Essa que nos invade com
gritos que surgem de
todos os lados possíveis.
Especialmente entrando
pela nossa casa dentro.
Sem autorização!”

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

Nr. de Registo ICS: 123 919

Depósito Legal: nº. 190972/03

Email: geral@noticiasdoparque.com