Quando eu for… Grande

By 24 Abril, 2012Entrevista

O fascínio de Maria Inês pelo universo infantil começa no seu próprio filho, hoje com quatro anos, que ela assume também como seu principal motivo de inspiração. Não admira por isso que tenha sido recente a sua incursão na literatura infantil. Na verdade, os seus primeiros títulos neste género – “Sabes que também podes Ralhar com os teus pais?”, “Sabes onde é que os teus Pais se conheceram?” e “Quando eu for… Grande” – foram publicados no ano passado. Tratou-se de um início auspicioso: “Quando eu for… Grande” foi nomeado como um dos três melhores livros de literatura infanto-juvenil de 2011 para o respectivo prémio da Sociedade Portuguesa de Autores, e tanto esse título como “Sabes onde é que os teus Pais se conheceram?” figuram na lista de “100 livros para o futuro” apresentada recentemente pela delegação oficial de Portugal na Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha, onde o nosso país foi este ano convidado de honra. Mas Maria Inês de Almeida já em 2010 havia coordenado a obra “Contos Pouco Políticos”, uma ideia sua recolhendo histórias para crianças escritas por políticos. Além disso, escreveu cinco biografias para a colecção juvenil Chamo-me…, (Amália Rodrigues, Almeida Garrett, Michael Jackson, Amélia Rey Colaço e Almada Negreiros) e o texto de duas bandas desenhadas, também, dirigidas aos jovens para a Liga Portuguesa Contra o Cancro (O estranho caso da 3 professoras e Festival de Verão em risco!). Acaba de escrever mais um livro “Vicente em viagem… a caminho do Rally de Portugal”, com ilustrações de Sebastião Peixoto, que o Automóvel Club de Portugal publica como o seu primeiro livro de prevenção rodoviária infantil. Trata-se de sensibilizar os mais novos para a importância de uma condução segura e cumpridora das normas de trânsito, uma vez que eles são os automobilistas do futuro. Mas os adultos, ao lerem-lhes a história, também poderão reforçar a sua consciência deste problema, o que nunca é de mais. O livro estará disponível nas delegações do ACP.

Porquê escrever para crianças?
Primeiro, porque elas merecem toda a nossa atenção. Depois, porque sempre estive muito atenta às vozes das crianças, o que foi ainda mais estimulado pelo nascimento do meu filho, que hoje é para mim uma inesgotável fonte de inspiração. Finalmente, porque as crianças possuem aquela faceta fascinante e encantadora que consiste em nos colocarem numa posição um bocadinho à parte, tanto dentro como fora da realidade, em que temos de ter os pés assentes na terra e, ao mesmo tempo, voar com elas.
 
É algo que só alguém com a criança dentro de si ainda muito presente consegue fazer ou qualquer pessoa com talento literário o consegue?
Não consigo responder pelos outros. Mas sinto que, pelo menos, para se conseguir escrever para crianças de modo a tocar a sua sensibilidade, é preciso gostar delas e da expressão dessa escrita, de modo a que se identifiquem com a mensagem que lhes queremos transmitir. Ter a criança dentro de si parece-me por isso importante, já que mais facilmente podemos reflectir o ponto de vista dela.

Como escreves os teus livros?
Não tenho um único método, já que livros diferentes implicam abordagens e processos de trabalhos distintos. Mas procuro nos livros infantis partir de uma boa ideia, o que considero fundamental, e depois tentar trabalhá-la com recurso à imaginação. Quanto às condições materiais da escrita, não sou muito exigente: o melhor sítio para eu escrever ainda é em casa, tão sossegada quanto possível. Mas também posso fazê-lo em frente ao mar, ao rio, ou na tranquilidade da paisagem alentejana.

Quando estás a escrever és diferente daquilo que és no dia-a-dia?
Não me considero diferente, já que tento sempre conciliar o exercício da escrita com o prosseguimento da vida quotidiana. Nem quero que seja de outro modo, para não afectar as pessoas que me rodeiam, sobretudo o meu filho. Por isso mesmo, aliás, é que escrevo enquanto ele está na escola, para que possa dedicar-lhe o tempo que merece depois de regressar a casa. Nessa altura, mergulho com ele nos livros, nos brinquedos, nos jogos, nos amigos. Também é verdade que, enquanto escrevo, procuro não ter ninguém por perto mas ficarei diferente durante esses períodos? Se os brinquedos e os livros lá de casa falassem, o melhor seria perguntar a eles. É o que tenho à minha volta.
 
Onde fica a fronteira entre a criança e um “crescido”? O que os separa?
É a fronteira entre o sonho e a realidade. Quando se perde a capacidade de sonhar, abandona-se a infância e adere-se à vida adulta. Acho que, mesmo crescidos, devemos continuar a sonhar, a estarmos disponíveis para a descoberta e a admiração, a olhar para as coisas com espanto, a rir e a brincar. O mundo também se faz dessa matéria-prima, e de certeza que é muito mais agradável assim.

“Vou descobrir onde está a porta da praia.

Foi com esta frase que me surgiu a ideia do livro. Ouvi-a uma vez da boca do meu filho, e daí veio-me a inspiração. Devo dizer que as ilustrações do Sebastião Peixoto se adequaram na perfeição ao conceito editorial que tanto eu como a editora, Ana Maria Pereirinha, tínhamos em mente, conferindo-lhe a dimensão de sonho e fantasia indispensável a um projecto como este.


“Vou comer todas as pastilhas elásticas.

A minha ideia com o livro não foi projectar o que deverá ser a sua futura vida de crescidos, quanto já possuem outra maturidade, mas sim dar forma ao que se imaginariam a fazer quando fossem grandes. Naturalmente, em muitos casos desejariam continuar a praticar o que lhes dá prazer enquanto crianças mas sem as necessárias restrições que os adultos agora lhes impõem. Daí a intenção, por sinal também confessada pelo meu filho, de, uma vez crescido, poder vir a comer pastilhas elásticas sem limites.

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