Impressões de Conduzir no Parque, parte II

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Na edição anterior, por força do limite de espaço, deixei de analisar dois recentes ajustes na circulação rodoviária do Bairro que não têm estado isentos de críticas e que foram referidos nesse nº do Notícias do Parque, em espaço da responsabilidade da GEURBANA, a Rotunda da Portela e o Passeio do Cantábrico. Informam que os projectos foram elaborados por especialistas de tráfego (de acordo com as normas e regulamentos em vigor) mas não é necessária reconhecida competência na matéria, para comprovar que na óptica de quem habita no PN, essas soluções não trouxeram maior fluidez ao trânsito local, antes pelo contrário.

Rotunda da Portela
Concordo e aplaudo a abertura das faixas centrais da Rotunda da Portela de acordo com o projecto viário original. Apesar de a PEGU garantir que “a semaforização (…) permite regular o trânsito local de forma (…) automática, possibilitando que o trânsito flua com maior segurança e mais facilmente, adequando o verde de cada semáforo ao trânsito efectivo em cada momento”, segundo alguns comentários publicados, a temporização dos semáforos não atinge consenso de opinião.
O principal motivo de contestação é não facilitarem as saídas da rotunda, para as faixas laterais. Quem pretende seguir pelas laterais, vê-se obrigado a esperar pela abertura do sinal sem que essas faixas interfiram com o resto do trânsito. A partir da “Minha Ideia” de Carla Bouça acerca do assunto (ver NP nº56), alguém sugeriu a adopção de semáforos intermitentes nas referidas saídas até porque o traçado contínuo já existe. A PEGU ponderou a instalação desse equipamento mas “…conclui-se através de estudos (…) que a segurança rodoviária poderia ficar comprometida.”
Se a razão for mesmo a falta de separadores físicos nas faixas de rodagem, há uma solução rápida e económica, tão fácil como colocar filas de pilaretes de borracha como se fez noutros pontos da cidade.
Mais, quem dantes, por força de ter de circundar essa rotunda, podia escolher entre a faixa central ou a lateral, agora ao vir de Sacavém, tem que passar pela abertura da placa separadora em frente ao I.P.J., provocando travagens e sobressaltos a quem circula pela lateral, o que convenhamos, não prima pela segurança que tanto alardeiam. No mesmo sentido, continuam em falta sinais de “Velocidade Controlada” antecedendo os semáforos (ver NP nº52). A maioria dos condutores desconhece que a luz passa a encarnada quando se ultrapassa os 50 kms.

Passeios do Cantábrico e do Báltico
Aqui a história não está bem contada. Há mais de um ano congratulei-me com a fiscalização do estacionamento abusivo no Cantábrico (ver NP nº52) que permitiu enfim circular sem congestionamentos, nos dois sentidos. A grande virtude destas vias era permitir circular em paralelo à D João II e sem aceder à Praça do Oriente, libertando-as de tráfego escusado. Aliás, o primeiro tinha o único acesso ao parque de estacionamento do Vasco da Gama que evitava passar na referida praça e que agora perdeu a funcionalidade. O sentido do simétrico Báltico, permitia a quem vindo da Av. Berlim, pudesse virar a sul evitando também atravessar a rotunda.
A solução adoptada para o Cantábrico e para o Báltico, provocou o aumento do tráfego e de engarrafamentos na D João II e nas rotundas, por forçar os veículos a terem que passar pela avenida duas vezes, sobrecarregando-a. Em especial as suas laterais, plenas de estacionamento abusivo, paragens de autocarro ocupadas, acessos de hotéis, etc..
Colaborei numa opção sugerida pela AMCPN à Parque Expo que preconizava um único sentido de trânsito, Moscavide/Lisboa, mantendo a configuração da entrada do parque do CC. O estudo contemplava zonas exclusivas de carga e descarga, permitindo o estacionamento junto às edificações e não do outro lado onde os peões não necessitam de circular. As suas perpendiculares, essas permaneciam com dois sentidos.
Se, por vezes, procedem a alterações a pedido dos moradores, neste caso foi em benefício de quem? Da EMEL, da Refer, dos hotéis da zona? Dos utentes também investidores no Parque, é que não foi.

Vou a Sul, até à Escola do Parque das Nações
Em Dezembro, a Parque Expo, em cumprimento de protocolo de construção da EPN (previa a entrada em funcionamento do 1.º ciclo no ano lectivo 2010/2011, sendo a abertura dos restantes ciclos efectuada no ano lectivo seguinte), entregou oficialmente a 1.ª fase da obra, à CML e ao ME. Nem o facto de se tratar de um equipamento escolar, sem refeitório nem cozinha, sem sombras no recreio e zero de instalações desportivas, coibiu os governantes de organizarem a inauguração, aproveitando sem pejo para tecerem loas uns aos outros, utilizando à boa maneira republicana, crianças cantando e rindo. Das conversas de circunstância, fixei o elogio da senhora ministra à construção faseada da escola, mas quanto ao reinício da obra nem uma palavra ouvi. Já conheciam a decisão do Tribunal de Contas que retirava a construção da 2ª fase da Escola à PE, mas o dia era de festa e mais virado para tirar fotografias ao lado de uma governante, agora a prazo. E lá seguiram em direcção a Telheiras, para inaugurar outra escola que mais parecia um cenário, a entrada brilhava, mas nas traseiras as obras continuavam.
O panorama não é famoso, a DRELVT apertada por restrições financeiras, fica responsável pela 2ª fase da escola e, este ano, ao contrário do anunciado, nada avança. A carência de espaços será mais acentuada à medida que os anos avancem e que se incluam mais crianças na escola. Sem qualquer compromisso, o mais provável é que um novo concurso seja lançado em 2012, para que a escola possa estar pronta até Setembro de 2013. Todos sabemos o que estas previsões costumam significar em termos de atraso.
Desejo estar enganado, mas não creio (e se fosse de apostar fazia-o) que a 2ª fase desta Escola esteja concluída de forma a assegurar a continuidade para o ciclo seguinte, dos alunos que hoje frequentam o 2º ano.

Nota: É de exaltar o exemplo de abertura à sociedade civil, no caso à Comunidade local, por parte da direcção do Pedro Arrupe. No sentido de envolvimento com a Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, cedeu o auditório do Colégio para festa de natal da Catequese. Mediante protocolo com o Clube Parque das Nações, abriu o seu parque de jogos de excepção (relvados sintéticos, iluminação e balneários adequados) às escolas de futebol que agora possuem melhores condições de treino do que até aqui. Mas não se ficou por aqui, disponibilizando essas instalações, para a jornada desportiva (torneios de futebol, karaté, judo e ginástica acrobática) do Festival Parque das Nações 2011, no domingo dia 28 de Maio, a partir das 9h30. Uma oportunidade para levar os seus filhos, comprovar o nível técnico das classes e quiçá inscrevê-los em qualquer das modalidades referidas.
Enquanto isso, acentua-se a degradação do recinto de futebol, junto ao IPJ, hoje um matagal onde a areia invade a outrora zona de jogo. Um equipamento que muito prometia, mas que se limitou a servir para treinos de equipas do Olivais e Moscavide.

José Teles Baltazar
veste Dunhill (C.C Amoreiras
piso 2 -loja 2151 -tel. 213 880 282)

Agradeço o precioso contributo, de Vasco Conceição Alves, colega de direcção da AMCPN, quer nesta como na anterior Crónica do Norte.

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

Nr. de Registo ICS: 123 919

Depósito Legal: nº. 190972/03

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