Turismo e Arquitectura de mão dada

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Por: Diogo Freire de Andrade
dfandrade@conceitofa.pt

A arquitectura numa Cidade sempre teve uma importância extrema, desde a antiguidade que os Lideres usaram as obras públicas e a arquitectura para marcar a sua passagem pelo poder.
Na era da globalização a relação entre a arquitectura, como umadisciplina de colocação, e as tendências de deslocamento é ainda mais forte.
As intersecções espaciais entre a arquitectura e os viajantes são de uma importância extrema, os turistas são nómadas e migrantes em que as suas mentes e corpos viajam. A percepção, a memória e a identidade em relação ao espaço são desafios que o arquitecto tem de ter em conta tendo por base objectos em contextos determinados.

Quando visitamos um local o que nos impressiona são as suas gentes, a sua história, a sua gastronomia, mas também a sua arquitectura.

Quando pensamos numa Cidade uma das percepções que nos invade é a sua arquitectura, vejam-se os exemplos de Sidney e a Ópera, Roma e o Coliseu, Paris e a Torre Eiffel, Agra e o Taj Mahal, Veneza e os seus edifícios.
Daí que, cada vez mais, as Cidades apostem numa estética renovada seja em aeroportos, museus, bares, hotéis, restaurantes ou lojas fazendo com que nos sintamos em casa em qualquer parte do mundo.

Quantas Cidades saíram do anonimato devido à sua arquitectura.
Desde Valência com a Cidade das Artes e da Ciência de Calatrava, à Cidade do Porto com a Casa da Música de Rem Koolhaas, até ao exemplo mais flagrante de Bilbau com o Guggenheim, de Frank Gehry.
Conforme disse o New York Times “O chamado efeito Bilbau foi estudado em universidades de todo o mundo como um exemplo clássico de como embalar as cidades com o “wow factor” da arquitectura”.
“Cidades desde Denver com o seu Art Museum’s projectado por Daniel Libeskind até ao Dubai seguiram os passos de Bilbau, o Arqt.º Gehry e os seu companheiros “starchitects” foram elevados ao papel de Messias urbanos. Depois do sucesso do Museu Guggenheim, a Cidade de Bilbau convidou outros arquitectos de renome para intervir na Urbe como Álvaro Siza (edifício da universidade), César Pelli (torre de escritórios de 40 pisos), Santiago Calatrava (terminal do aeroporto), Zaha Hadid (Master Plan), Philippe Starck (reconversão de armazém de vinhos), Robert A.M. Stern (shopping) e Rafael Moneo (biblioteca), para citar apenas alguns.”

No caso do nosso Parque das Nações não há dúvida de que há vários factores a atrair cada vez mais turistas como, por exemplo, o rio, os restaurantes, as lojas, os equipamentos, mas um dos principais ímanes é o desenho urbano e a arquitectura. Edifícios como o Pavilhão de Portugal, o Oceanário (com 14 milhões de visitantes até Dezembro de 2009), o Pavilhão Atlântico, o Centro Vasco da Gama, a Gare do Oriente e outros edifícios de escritórios, de serviços ou de habitação são uma atracção constante.

Quem gere as Cidades já percebeu que conseguem pô-las no mapa do Turismo com obras importantes de arquitectura. Daí que o Turismo e a Arquitectura estejam de mãos dadas.

SERÁ QUE É DESTA?

Conforme referi no meu Artigo de Maio, deste ano, a palavra crise estava presente em todas as conversas, havia no entanto, quem remasse contra a maré, contra o pessimismo e indicadores económicos ou empresas de Rating.

Os primeiros sinais vêm agora dar razão a quem acreditou, com base nos dados fornecidos pelo Lisbon Prime Índex, o mercado de escritórios na Cidade de Lisboa está a recuperar da forte quebra sentida em 2009, tendo registado uma subida de 64% entre Janeiro e Março deste ano, face a idêntico período de 2009.

Já no Parque das Nações e de acordo com a consultora imobiliária Aguirre Newman, a superfície média contratada aumentou em grande parte devido à realização da operação de arrendamento dos 14.704m2 no edifício Báltico pelos CTT.
Como todos sabemos há muitos negócios que vão ser montados e novas oportunidades vão surgir à volta deste edifício com capacidade para 1.400 pessoas.

Ainda segundo a Aguirre Newman verifica-se que cerca de 74% da área disponível de escritórios novos em Lisboa estão concentrados nas zonas do Parque das Nações e no corredor Oeste (linha de Cascais). Foi de facto nestas duas zonas que se desenvolveram novos imóveis e parques empresariais e onde estão localizados boa parte dos projectos previstos para os próximos anos.

É com estas expectativas positivas que os agentes ligados ao imobiliário estão a investir no Parque das Nações. Há vários edifícios já terminados ou na sua fase final, como por exemplo o “Mythos” da Imocom, os “Espace” e “Explorer” da Bouygues Immobilier ou o “Cais Office” da Habioffice.

Já segundo a consultora Worx, as expectativas de uma recuperação, embora lenta, confirmaram-se. Na área do Parque das Nações houve uma maior procura e o desempenho desta zona manter-se-á positivo até final do ano.

Será que o Parque das Nações é um Oásis no meio de um deserto de oportunidades? As empresas continuarão a chegar em catadupa para aqui localizarem as suas sedes e a consolidação parece que não é uma miragem? Será que é desta que vamos sair da crise? Parece-me ainda cedo para dizer que saímos da crise tanto mais que, até ao final do ano passado, a disponibilidade de escritórios na nossa zona, ou seja, os escritórios que estão vagos para serem arrendados, chega aos 21,5%. Vamos esperar para ver.

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

Nr. de Registo ICS: 123 919

Depósito Legal: nº. 190972/03

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