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“They say that time changes things, but you actually have to change them yourself” – Andy Warhol (criador e impulsionador da Pop Art, 1928-1987)

Na passada edição, abordei a questão cada vez mais pertinente acerca do Tempo, do resultado perverso da forma como o Homem tem vindo a utilizar este recurso escasso, e o impacto destes aspectos na qualidade das nossas Vidas.
Importa agora dar a conhecer de que formas o chamado Movimento Slow está a questionar e a encontrar novas formas de viver nas estruturas sociais caóticas desenvolvidas pelo Homem ao longo dos Tempos, com o objectivo de levar a Humanidade a (re)encontrar novos caminhos para uma Vida mais equilibrada que nos permita ganhar mais qualidade de Vida, mais qualidade na forma como o Tempo é utilizado e como pequenas mudanças podem enriquecer as nossas experiências de Vida.
O Movimento Slow surge pela necessidade de um contrapeso à tendência para o excesso de Velocidade e de Quantidade na tentativa de semear um futuro sustentável para a nossa Civilização.

Quando, Como e Onde Surgiu o Movimento Slow?
Este Movimento surge em 1986, fruto de uma clara oposição à americanização da Europa, quando Carlo Petrini, um carismático jornalista e crítico Italiano de Gastronomia, lançou a Slow Food, como forma de combater a chegada de uma sucursal da McDonald’s junto à famosa escadaria da Praça de Espanha, em Roma.
A Slow Food, como sugere o nome, é o movimento que defende o oposto da Fast Food: produtos originais, locais, sazonais e frescos; receitas tradicionais, passadas de geração em geração; agricultura sustentada; refeições tranquilas entre família e amigos. É uma aliança entre a noção de comer bem e a protecção do ambiente. Na sua essência, a Slow Food tem a ver com o Prazer.

Este, é um bom ponto de partida para contrariar a nossa obsessão pela velocidade em todos as áreas da nossa vida.
A sede da Organização Internacional da Slow Food fica situada numa pequena cidade perto de Turim – Bra – e utilizou para icone gráfico (logotipo) um Caracol, o que não significa que sejam preguiçosos ou lentos nas suas acções. Bem pelo contrário! De acordo com dados publicados por Carl Honoré, – jornalista e escritor de vários livros que promovem o movimento slow – esta Organização atraiu cerca de 78 mil membros em mais de 50 países, num curto espaço de tempo.
Enviam emails, escrevem comunicados de imprensa, organizam conferências e cursos, enviam uma newsletter mensal para os membros de todo o mundo, e ainda publicam uma revista quinzenal em 5 línguas, bem como uma série de respeitados guias de comidas e vinhos, entre muitos outras actividades.
Esta Organização já persuadiu o governo italiano a incluir “estudos alimentares” nos programas escolares e recuperaram um vasto património gastronómico em Itália, em que mais de 130 especialidades regionais à beira da morte, foram salvas.

Há muito mais informação sobre Slow Food, mas será um dos diversos temas a tratar exclusivamente numa outra edição, dado o vasto conteúdo acerca desta área do Movimento Slow.
O que importa salientar é que foi a partir desta conjuntura de factores muito associados à Alimentação que o Movimento Slow, nas várias vertendes das nossas vidas, começou a ganhar a atenção de muitos e a correr mundo, adquirindo uma dimensão mundial, massificada em muitas regiões do Planeta, e com cada vez mais novos adeptos e defensores desta filosofia de Vida que vem contrariar a aceleração em que actualmente vivemos.

Acredita-se que a  – Lentidão – sob o signo do Movimento Slow, terá um papel deveras importante no século XXI.

Velocidade é sexy, é divertida, gera adrenalina e é difícil viver sem estes “apelos” que mascaram a nossa percepção de nos “sentirmos vivos, com um sentido e propósito de Vida”. Mas a velocidade acaba por ser uma forma inconsciente de nos protegermos das questões maiores e mais profundas.
Enchemos a nossa cabeça com distracções e ocupações para que não nos detenhamos sobre as perguntas: “Estou bem? Estou feliz? Os meus filhos estão a crescer com qualidade? Os políticos estão a tomar boas decisões sobre o país / a cidade onde vivo?”
Outro dos grandes entraves à desaceleração é a dependência do próprio tabu que se criou contra o acto de abrandar o ritmo.

Slow – traduzido literalmente por Lento – é uma palavra com uma conotação associada à preguiça, mal-percepcionada na nossa sociedade, em que ser lento é muitas vezes conotado com ser incapaz para uma determinada função ou tarefa.
Um dos maiores desafios do Movimento Slow é gerir este gigantesco tabu. Nem sempre a lentidão é boa. Mas o Movimento Slow não engloba a Lentidão Negativa: ninguém gosta de ficar preso numa fila de trânsito na IC19, por exemplo… Mas existe algo de revolucionário e simples em que assenta toda a essência do Movimento Slow: a lentidão Positiva! Uma refeição caseira, confeccionada entre família, amigos, e saboreada em conjunto, sem a televisão ligada, sem telemóveis por perto, ou outras distracções, no sentido de nos fazer estar, ser e viver o momento presente com todos os nossos sentidos activos; encontrar tempo para olhar para os problemas que nos rodeiam a partir de várias perspectivas,  seja na nossa Vida pessoal bem como em questões profissionais a fim de  tomar a decisão mais acertada… Simplesmente, permitir-nos saborear a Vida, em todas as suas vertentes.

Importa referir que, apesar de poder demorar várias gerações a mudar – porque se trata afinal de modificar mentalidades, formas de estar e de viver – o Movimento Slow já está a ser muito bem acolhido por grandes empresas, um pouco por todo o Mundo, nas quais, são já os próprios decisores os que muitas vezes mais sofrem com o ritmo acelerado em que vivemos, mas que, sozinhos, não encontram saídas para alterar o que quer que seja. Apenas sabem que há alguma coisa que vai ter de mudar muito em breve, simplesmente porque tudo o que vivemos hoje é já… demasiado! É necessário voltar um pouco atrás e recuperar a “arte perdida de diminuir a marcha” (in Praise of Slow, Carl Honoré).

Outra nota importante e que remete para a importância que este Movimento está a assumir, é o facto de ir além do “Mundo Desenvolvido”. Os países que estão agora em franco desenvolvimento – China, Brasil, Tailandia, Polónia, entre outros – e prestes a entrar no chamado “Primeiro Mundo”, abraçaram também a essência do Movimento Slow, porque reconhecem no mundo Ocidental e desenvolvido o que realmente perseguem, mas sabem claramente o que não querem desse mesmo mundo: a aceleração desmedida e desnecessária.
“Aproveite a época de veraneio para “saborear a Vida” e encontrar algum Tempo para pensar um pouco de que forma pode, desde já, alterar algumas coisas que, no seu dia-a-dia, lhe causam demasiada ansiedade, stresse, e acima de tudo, lhe retiram a capacidade de viver o momento Presente com a atenção e o envolvimento genuínos que as tarefas que executa ou os que mais ama merecem.

Nas próximas edições, a SLOW WAY vai trazer-lhe inúmeros exemplos e provas vivas da relevância deste Movimento, em todas as vertentes da nossa Vida, para um Planeta e uma Humanidade mais equilibrados… in a Slow Way.

“Wanting little isn’t about depriving yourself of what’s important to you, but eliminating all the clutter that makes its way into our lives. But make sure you’re being honest with yourself”, David Turnbull

Boas Férias, com bom Tempo, vivido com total intensidade e plenitude…

Alexandra Sampaio Pássaro

Slow Way
info.slowway@gmail.com

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

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