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Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é como voltar ao Éden…
Milan Kundera

Eu adoro cães, gatos… cavalos, burros, vaquinhas, porcos, coelhos e todos os seres com mais de duas patas. Tempos houve em que os meus 5 gatos me arruinavam o orçamento, muito mais do que o pagamento do condomínio. Contudo, não posso aceitar que o prazer (ou vaidade) de alguns obrigue ao desprazer de outros… Ou seja, vivo na Expo desde 1998, altura em que éramos ainda poucos e os passeios pelo nosso bairro não implicavam cruzarmo-nos com dejectos caninos. Com o passar dos anos, a população do Parque das Nações tem vindo a aumentar significativamente e, com ela, o número de cães que por aqui vive. Há para todos os gostos e tamanhos, raças e graus de educação. Da minha janela, observo o cão que só atravessa a passadeira quando o dono avisa, o cão que incomoda tudo e todos porque devia andar de trela e não anda e o cão que defeca em frente à porta do prédio sem que o dono com isso se rale. Observo também os donos conscienciosos que só passeiam o seu animal com o correspondente saquinho preto para apanhar os dejectos. No entanto, das duas uma: ou o número de canídeos tem aumentado ou o número de donos sem qualquer educação cívica tem diminuído. É crescente o número de dejectos caninos com que me vejo obrigada a cruzar-me sempre que saio à rua para ir ao café, à farmácia, ao super ou ao cabeleireiro. Isto sem referir os espaços verdes onde se acumulam embalagens vazias, preservativos usados e, claro, cocó de cão…
Sabemos que quem visita Lisboa vindo das cidades mais avançadas da Europa, é confrontado com a deplorável visão da sujidade que nos caracteriza. E os dejectos caninos são, sabemo-lo, uma das principais causas de sujidade da via pública. Apesar das campanhas de sensibilização, a remoção destes dejectos está longe de ter sucesso. A primeira campanha de sensibilização pública é datada de 1992. Alguns anos mais tarde, surge a campanha com mais impacto nesta matéria: “Presentes do seu cão não obrigado”, realizada faseadamente entre 1995 e 1997. Estas campanhas têm vindo a apelar à formação de uma consciência crítica, em defesa do espaço público, pela pressão social que esta pode exercer junto dos donos dos animais, sempre que o seu comportamento não manifeste respeito pelos outros. E, de facto, desrespeito pelos outros é o que mais eu tenho notado ultimamente neste bairro. Só pergunto por que razão a lei não é cumprida e as coimas aplicadas. Andaremos esquecidos de que, com as alterações ao Regulamento de Resíduos Sólidos da Cidade de Lisboa, compete aos proprietários de canídeos a responsabilidade pela limpeza e remoção imediata dos dejectos produzidos pelos seus animais de estimação? E a Polícia? Por que razão não ousa punir os poluidores? Importa lembrar que quem, como eu, optou por viver na Expo, optou claramente por um novo conceito de vida na cidade. E ser obrigada a desviar-me constantemente de dejectos canídeos, por mais exóticos que os cães que os produzem sejam, é um sinal claro de falta de civismo e de empobrecimento da qualidade do ambiente urbano, interferindo também com a saúde pública. Por tudo isto, e tendo em conta que a PSP não parece muito interessada em andar atrás de cocós de cão (e terá certamente muito mais com que se preocupar), proponho que sejamos nós, habitantes, a mantermo-nos alerta e a chamar a atenção dos muitos prevaricadores que orgulhosamente passeiam o seu animal de estimação, quando nos apercebermos da sua falta de respeito para connosco.
Parece mesmo que algum dos proprietários de canídeos do Parque das Nações se esquecem de que não basta parecer… é preciso sobretudo ser!

Carmo Miranda

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

Nr. de Registo ICS: 123 919

Depósito Legal: nº. 190972/03

Email: geral@noticiasdoparque.com