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Tal como o nosso Parque das Nações há outros casos de sucesso na reconversão urbana, de zonas de Cidade degradadas, com a instalação de novos espaços dedicados à habitação, escritórios, hotelaria, equipamentos e comércio.
Como exemplos paradigmáticos temos La Défense em Paris e Cannary Wharf em Londres, de facto não somos os únicos a aproveitar uma área da Metrópole para, ao mesmo tempo, recuperar áreas esquecidas e criar novos centros urbanos com dinamismo e sem vícios.
Ambos os casos referidos situam-se fora do Centro da Cidade, em zonas esquecidas, abandonadas, reclamando a sua integração nas Cidades.

La Défense – Paris

La Défense quando foi imaginada e criada não tinha senão pavilhões industriais em ruínas, fábricas pequenas ligadas à indústria e ao ramo automóvel, bairros de lata e algumas quintas.
O seu nome ficou ligado à homenagem aos soldados que defenderam a cidade durante a Guerra franco-prussiana de 1870.
Ao contrário da Expo o desenvolvimento urbano de La Défense foi feito ao longo de vários anos e sem limite físico definido.
O seu primeiro Plano Urbanístico é aprovado pelo Estado Francês em 1964.
Logo no início dos anos 70, para responder a uma considerável procura e sucesso, surgem alterações ao Plano e as chamadas “torres de segunda geração” de grande dimensão.
Porém, nos primeiros anos da década de 80, seguindo um modelo mais económico, constroem-se “torres de terceira geração”, menos largas e menos altas.
Este novo bairro tem uma posição estratégica no Eixo Histórico de Paris, no qual o Distrito se encontra na extremidade ocidental. O referido Eixo começa no Louvre, no centro de Paris, estende-se ao longo dos Campos Elísios, passa pelo Arco do Triunfo e culmina em La Défense.
Com o “Grande Arco” como referência arquitectónica, com cerca de 110 metros de altura, a área abriga a maioria dos edifícios mais altos e maiores da área urbana de Paris.
Poderemos dizer sem dúvidas que La Défense é neste momento o maior centro empresarial da Europa.
Para o provar, La Défense dá-nos números impressionantes:
3,5 milhões de metros quadrados de espaços de escritórios.
72 edifícios de vidro e aço, os quais incluem 14 arranha-céus acima de 150 metros. Alberga mais de 20.000 habitantes e diariamente é local de trabalho para 150.000 pessoas.
La Défense acolhe, sozinha, 1.500 sedes sociais, entre as quais 15 das 50 primeiras empresas do mundo, La Défense.

Canary Wharf Londres


Canary Wharf foi, entre 1802 e 1980, um dos portos mais importantes do mundo, empregando 50 mil pessoas.
O curioso nome foi retirado do arquipélago espanhol das Canárias para onde este porto exportava as suas mercadorias.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o porto foi bombardeado e quase todas as mercadorias foram destruídas trazendo um enorme prejuízo para a política de exportação britânica. Após uma breve reconstrução da área em 1950, o sector portuário sofreu uma queda e tornou-se menos produtivo que os outros portos ao redor da cidade. Por fim, o governo optou por fechar o porto em 1980.
Foi entre 1988 e 1991 que se implementou a primeira parte de um Plano Urbanístico que iria converter a região do porto abandonado num complexo de negócios. O primeiro prédio do complexo foi concluído em 1991.
No entanto, foi só na segunda fase urbanística, que se iniciou em 1997 e terminou em 2002, que houve um aumento exponencial de utilizadores da zona. Este aumento veio a consolidar-se com a abertura da linha de Metro em 1999, atingindo o número de 63.000 trabalhadores na zona.
À semelhança do Parque das Nações, Canary Wharf também era um espaço industrial e os seus responsáveis mantiveram algum património como memória.

Neste momento Canary Wharf é um complexo de edifícios comerciais que inclui os três maiores edifícios do Reino Unido. Este espaço recebe as sedes de grandes agências bancárias e também empresas de entretenimento. Emprega mais de 100.000 mil pessoas, com uma previsão de crescimento até às 200.000 pessoas em 2025.
Actualmente esta nova zona, para além de um centro empresarial, é também um ponto comercial por excelência. É por isso que, só para se deslocarem às compras, passa por Canary Wharf o extraordinário número de 500 mil pessoas por semana.
Neste momento, Canary Wharf tem aproximadamente 1.300.000 m2 de escritórios e comércio.
Tal como em Lisboa, está provado que o impacto mais imediato do desenvolvimento desta área foi o de valorizar de uma forma sustentável o valor da área envolvente.

Parque das Nações Lisboa

Para podermos comparar os projectos de Paris e Londres com o Parque das Nações, deixo alguns números do nosso território conforme a revisão do Plano de Urbanização da Zona de Intervenção da Expo’98 em 1999:
Área total de construção do Parque das Nações é de quase 2.500.000 m2.
Divididos em 1.240.000 m2 para Habitação, 636.000 m2 para Escritórios, 199.000 m2 para Comércio e Restauração, 331.000 m2 para Equipamento Colectivo, 38.000 m2 para Equipamento Turístico, 24.000 m2 para Equipamento de Infraestrutura Urbana e 25.000 m2 para Indústrias e Armazéns.
A zona da Expo foi projectada para albergar sensivelmente 25.000 pessoas.
Embora os três casos tenham, como referi no início, algumas analogias, felizmente o nosso caso é mais equilibrado. É essencial que haja uma mistura de usos por forma a que o espaço urbano não se torne num dormitório, se for unicamente habitação, ou num imenso vazio durante a noite ou fim-de-semana, se for composto exclusivamente por escritórios.

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

Nr. de Registo ICS: 123 919

Depósito Legal: nº. 190972/03

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