Mobilidade Suave

By 14 Fevereiro, 2015Entrevista

Apresentação
Sou o Nuno Gonçalves, tenho 27 anos e sou engenheiro electrotécnico.

Nuno, costumas vir diariamente de bicicleta, de Carnide para o Parque das Nações, para trabalhar. Como e porquê?
Desde pequenino que sou ambientalista e vi um documentário sobre o buraco do ozono e os gases de efeito de estufa que me fizeram pensar: Porque é que não andamos todos de transportes se é melhor para o ambiente?
Quando tirei a carta aos 18 anos o meu pai disse: “Dou-te um carro quando tiveres dinheiro para o manter”, o que significava que só o poderia ter quando começasse a trabalhar. Por isso, ia para a faculdade de transportes ou à boleia.
Quando saía à noite tinha que esperar muito por transportes. Para além disso, queria alguma independência e fazer exercício. Lembrando-me que nas férias usava muito a bicicleta para passear, resolvi experimentar ir, um dia, para a faculdade. Tinha um colega da minha zona que ia de vez em quando, deu-me umas dicas e lá fui eu.
Depois de superar algumas dificuldades, bicicleta mal afinada, caminho mais fácil, etc.., não quis outra coisa. Quando acabei o curso e comecei a trabalhar no Parque das Nações foi a evolução natural.

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É mais fácil do que parece ser? Explica-nos sucintamente como fazes?
As pessoas costumam ter receio do trânsito e das colinas. Em 7 anos tive um acidente e foi por causa de um carro que se atravessou à minha frente e eu fui contra ele. Nenhum ferimento nem culpa.
É fácil, eu pego na minha bicicleta, ligo a música nas colunas da bicicleta e aí vou eu.
Embora não o faça por não ser o caminho mais directo, é possível fazer a viagem toda em ciclovia. Vou em direcção a Telheiras pela ciclovia, depois, em Telheiras, saio da ciclovia e apanho-a outra vez no Campo Grande, sigo até à Avenida do Brasil, Rotunda do Relógio, Avenida de Berlim e chego ao Parque das Nações. São entre 30 e 40 minutos no sentido Carnide – Parque das Nações e no sentido inverso entre 40 e 50, pois tenho de subir uma das temidas colinas. Mas como vou em direcção a casa, com banho e descanso, não tem problema.
É mais rápido, por exemplo, que o metro, pois é porta a porta e pelo metro teria que mudar de linha. O autocarro perde tempo a parar em todas as estações.

Tens 3 tipos de bicicleta para diversos tipos de utilização, porquê?
Quando comecei usava uma bicicleta de quando era mais novo e mais pequeno, percebi que já não se adequava e passei a usar uma de montanha, do meu irmão mais velho. Faltavam-lhe coisas para a vida quotidiana, uma postura mais confortável, pára-lamas, luzes. Fui acrescentando, mas percebi que era melhor arranjar uma que fosse de raíz para andar na cidade. Comprei a primeira das três. Uma órbita, fabrico português, comprada na loja onde íamos todos em família há 20 anos.
Depois, comecei a pensar noutra, porque quando a minha estava na oficina ou andava de transportes ou tinha que pedir emprestada, outra vez, a do meu irmão. Mas para não ser uma igual, pensei no que poderia precisar. Um dos muitos contras que me apontam à bicicleta é: então e se quiseres levar alguém ou ir com alguém a algum lado, então pensei numa bicicleta de carga, em que fosse possível levar pelo menos um passageiro. Comprei uma Yuba Mundo. Que, para além disso, até me deixa rebocar outras bicicletas para, por exemplo, levar uma delas ao mecânico e ir-me embora na outra! Para além disso, dá para levar bagagem maior, já fui, por exemplo, buscar móveis ao IKEA com ela.
Por fim, uma coisa que me acontecia muito era ir, no fim de semana a qualquer lado fora de Lisboa, de transportes, e sentir, nesse local, a falta da bicicleta. Embora tenham evoluído, os transportes não eram muito propícios a transportar bicicletas sem ter que as desmontar e dar uma trabalheira. Por isso pensei em arranjar um dobrável. As opiniões eram unânimes, a Brompton é a melhor bicicleta dobrável do mercado. Comprei uma. Serve para quando tenho de ir para algum lado sem ser de bicicleta e ter lá uma bicicleta, quando não sei como é o estacionamento no local pois posso levá-la comigo. Já a levei ao cinema e até a uma discoteca, deixando-a no bengaleiro.

Alguma mensagem para os moradores ou trabalhadores que estejam curiosos em começar a usar mais a bicicleta com forma de Mobilidade Suave?
Experimentem! Não pensem que é impossível até experimentarem. Comecem por viagens pequenas, ao café, ao cinema ou por ir para o trabalho, ao fim de semana, para experimentar. Há cada vez mais informação na internet e pessoas dispostas a ajudar!

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

Nr. de Registo ICS: 123 919

Depósito Legal: nº. 190972/03

Email: geral@noticiasdoparque.com