Outubro é a data prevista para a abertura da Escola “O Guarda-redes em jogo”. Ricardo Peres está por trás deste projecto que, sem fins lucrativos, tem como objectivo aumentar em número e em qualidade esta posição do futebol português. Treinador de guarda-redes da Selecção Portuguesa encontrou, no Parque das Nações, o relvado ideal para desenvolver este projecto. A escola de futebol do Clube Parque das Nações será a parceira e o campo de futebol do Colégio Pedro Arrupe o local.
Como surgiu esta ideia?
Surgiu, essencialmente, por não haver a quantidade desejada de guarda-redes, em Portugal. Nem em quantidade desejável, nem em qualidade desejável. Vamos ter duas plataformas de trabalho: uma para atletas não federados, outra para atletas federados. Aqui surge a nossa aposta dirigida a estes atletas que, nos seus clubes, não têm a possibilidade de ter um treino específico da posição de guarda-redes. Oferecemos qualidade no treino específico, através da nossa metodologia assente na experiência que temos vindo a desenvolver, seja no Sporting Clube de Portugal, seja na Federação Portuguesa de Futebol. Oferecemos essa metodologia para os atletas poderem evoluir.
A partir de que idade?
Esses atletas podem ter entre os 4 e os 40 anos de idade. Queremos abranger todas as pessoas que sintam a necessidade e o gosto pela prática da posição. São atletas que poderão estar ligados a um clube que se deslocam à nossa escola para fazer a prática do treino específico, no início da semana, segunda e terça-feira e que depois, na quarta, quinta e sexta voltam aos seus clubes para integrarem as suas equipas. Desta forma tentamos colmatar esta carência que existe. O clube que não tenha possibilidade financeira para pagar a um treinador de guarda-redes poderá ter, por uma quantia muito mais baixa, a possibilidade de colocar os seus guarda-redes, seja das camadas jovens ou dos seniores, na nossa escola.
Como chegaram ao Parque das Nações?
Essencialmente pela parceria que estabelecemos com a escola de futebol do Clube Parque das Nações, da responsabilidade dos professores Carlos Eduardo e Paulo Gomes. Dois excelentes profissionais com uma visão grande na área do futebol. Possibilitando, também, aos seus guarda-redes estarem na Escola do Guarda-Redes em Jogo. Fizemos uma visita ao Colégio Pedro Arrupe e ficámos encantados pela forma como fomos recebidos pelos responsáveis deste estabelecimento de ensino e, também, pelas excelentes condições aqui existentes.
Quando é que um jogador se apercebe de que o caminho a seguir é pela posição de guarda-redes? Se for um miúdo quando e como é que um pai se apercebe de que é esse o caminho a seguir?
A nossa ideia é que seja o jovem e não o pai. Tem que se criar um gosto pela posição. Culturalmente não é fácil porque é uma posição constantemente desprezada e sem uma referência, a nível nacional. Um erro do guarda-redes tem consequências emocionais muito mais vastas, mais penalizadoras para o jovem e terão que ser trabalhadas para desenvolver a auto-confiança e o saber lidar com esse erro. Trata-se de fazer do erro um rendimento, ou seja, todos vão errar e há que criar rendimento desse erro. A sociedade em geral é bastante penalizadora para o jovem guarda-redes e isso promove algum abandono. E cabe-nos a nós, também, responsáveis, tentar mudar um pouco essa mentalidade e forma de ver o guarda-redes. Portanto, sendo o jovem a decidir, ele tem que experimentar. Para experimentar tem que o fazer com qualidade de treino, nas melhores condições possíveis, seja a nível de estruturas ou de acompanhamento profissional. Pensamos que desta forma consigamos criar o gosto pela modalidade para a desenvolver e criar novas referências.
Quais as características de um guarda-redes?
As do alto rendimento são diferentes das de jovens que queiram praticar a posição. A principal característica é terem gosto. Mas para terem gosto têm que experimentar e para experimentar têm que experimentar bem. É esse contexto que estamos a tentar criar, para que experimentem da melhor forma possível para assim criarem gosto por um jogador que tem que estar inserido numa equipa, mas que pode ser diferente de todos os outros.
E é cada vez mais diferente, certo?
Sem dúvida. Isso tem que ficar bem assente. O guarda-redes tem, cada vez mais, um maior raio de acção na equipa. Hoje em dia vemos guarda-redes a construir o jogo de trás para a frente, a participar na construção do jogo, com os seus defesas, na sua linha defensiva. O guarda-redes já não serve só para defender, serve também para atacar. Daí essa ligação umbilical que tem que haver entre ele e a restante equipa.
