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Comecei a escrever este artigo do avesso, ou seja, da margem sul a olhar para Lisboa.

Daqui não vejo a Expo mas vejo a Cidade antiga, a Lisboa de outras Eras.
Mas Lisboa é sempre Lisboa, é uma Cidade que sempre me apaixonou, Lisboa das colinas, Lisboa das cores.

Daqui a Cidade é deslumbrante com o Tejo a dar-lhe uma beleza especial.
De onde escrevo há um canto de praia onde a criançada se banha, não se importam se a água está fria ou suja, só querem limpar-se do calor e do pó.
Tenho o sonho de que qualquer dia o rio seja tão limpo como já o foi, que seja tão usado como os antigos o fizeram.

Donde estou o rio é mais estreito, a ponte “velha” omnipresente, o outro lado é intenso e inteiro.

A água ajuda-nos a escrever, as palavras saem a jorro. Quando estive a estudar arquitectura em Veneza, integrado no Projecto Erasmus, a vontade de escrever era incontrolável.
A água transmite calma e melancolia, ajuda-nos a pensar e a gerar.
A água sempre foi a força geradora de Portugal, o Império foi feito pela água, o poderio era naval.

Acho que deixámos de ter essa ligação, a Cidade e o País vivem de costas voltadas para o Rio e para a água. A pesca já não é profissão para ninguém, abate-se os barcos “tomem lá dinheiro e vão para casa”. A nossa zona exclusiva é enorme mas nós não temos capacidade para a controlar ou explorar.
Visto daqui o Tejo está quase vazio de vida, não se vêem barcos. Será que perdemos o amor pelo rio?

A margem sul cada vez parece mais afastada, a política é sempre mais pontes em vez de mais barcos. Querem asfaltar-nos o rio.
O Tejo deveria ser uma união, uma Praça de água, um espaço belo que todos usassem. Um sítio onde as pessoas das duas margens se encontrassem. Mas não, o rio é um esgoto, um obstáculo, um empecilho.

A vista do avesso que normalmente se tem da Expo é feita a partir da ponte Vasco da Gama, é uma sensação de “cheguei a casa”.
A vista que se tem do Parque das Nações a partir do rio é bela, é diferente, é uma perspectiva mais horizontal, parece uma Cidade mergulhada.

Lanço aqui o desafio para que se crie “o dia do Tejo”. Nesse dia todos os barcos são lançados à água, são feitas regatas, corridas, passeios, cruzeiros, chamem-lhe o que quiserem, mas vão para a água. Desde onde o Tejo é navegável até Cascais todos os barcos, faluas, cacilheiros, fragatas, varinos, canoas, botes. Todas as marinas, docas, cais, lancem as embarcações à água para fazer companhia ao rio.

Ele está a dizer usem-me, e não, abusem.

Ficha Técnica

Director: Miguel Ferro Meneses

Redacção: Ana Penim; André Ribeirinho; Carmo Miranda Machado; Conceição Xavier; Diogo Freire de Andrade; Miguel Soares; Paulo Andrade; João Bernardino; João Catalão; José Teles Baltazar; Pedro Gaspar; Rita de Carvalho; Sara Andrade; Sónia Ferreira

Fotografia: Miguel Ferro Meneses

Direcção Comercial: Bruno Oliveira (Directo - 966 556 342)

Revisora: Maria de Lurdes Meneses

Produção: Central Park

Impressão: GRAFEDISPORT Impressão e Artes Gráficas, SA

Tiragem: 13.500 Exemplares

Proprietário: Central Park Sede Social: Passeio do Levante - Lote 4 - Torre Sul 1990 -503 LISBOA

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